O que é underpainting e por que a técnica conquistou as nossas celebridades favoritas

O que é underpainting e por que a técnica conquistou as nossas celebridades favoritas

Conhecida por criar a pele iluminada e naturalmente esculpida de celebridades como
Hailey Bieber e Kendall Jenner, a técnica usada por Mary Phillips inverte a ordem
tradicional da maquiagem para um resultado mais suave e tridimensional. Aprenda a
fazer também

E se o segredo para uma pele mais natural fosse justamente fazer a maquiagem na ordem inversa? É essa a lógica por trás do underpainting, técnica que ganhou novo fôlego nas redes sociais e se tornou uma das estratégias favoritas de maquiadores para criar aquele efeito de pele esculpida, iluminada e aparentemente sem esforço.

O princípio é simples: em vez de aplicar base, corretivo, contorno e iluminador nessa sequência, o underpainting começa pela construção de luz e sombra. O contorno e os pontos de iluminação são aplicados diretamente sobre a pele preparada e, só depois,
recebem uma camada fina de base por cima. O resultado é uma maquiagem que parece vir de dentro da pele, sem as linhas evidentes que podem aparecer quando os produtos de contorno ficam depositados sobre a base.

Embora pareça uma novidade das redes sociais, a técnica existe há anos nos bastidores de desfiles e produções de beleza. Apesar do viral capitaneado pela maquiadora Mary Phillips, conhecida pelo trabalho com nomes como Hailey Bieber, Kendall Jenner e Kim Kardashian, o conceito está nos livros do maquiador Kevyn Aucoin, já nos anos 1980.



A maquiagem começa pelas “estruturas”

A melhor maneira de entender o underpainting é imaginar o rosto como uma tela. Antes de colocar a “pele” por cima, você cria as estruturas que quer destacar.

Primeiro, vêm as sombras. Um contorno cremoso é aplicado em pontos estratégicos do rosto, como têmporas, linha do cabelo, abaixo das maçãs e mandíbula. A intenção não é desenhar uma faixa escura, mas reproduzir as áreas naturalmente mais profundas do rosto.


Phillips recomenda começar próximo à cauda das sobrancelhas e levar o produto em direção às têmporas, criando uma sensação de elevação. O contorno também pode acompanhar a linha do cabelo e o perímetro da testa. Nas maçãs, a posição pode variar de acordo com o efeito desejado: mais próximo da parte alta para um resultado visualmente elevado ou um pouco mais abaixo para enfatizar a estrutura das maçãs.

Depois, entram os pontos de luz. A lógica é seguir os lugares em que a luz naturalmente toca o rosto: entre as sobrancelhas, no dorso do nariz, ao redor das narinas e abaixo dos olhos.

Um toque de iluminador logo abaixo do contorno das maçãs e sob a borda inferior dos lábios também pode ajudar a criar dimensão. Tudo deve ser aplicado com leveza. O objetivo não é enxergar claramente onde termina o contorno e começa a pele.



Por que funciona?

A grande sacada do underpainting está justamente no que acontece depois. Quando uma camada fina de base é aplicada por cima do contorno e da iluminação, ela funciona como um filtro entre os produtos e a pele. A cor e a estrutura continuam ali, mas aparecem de maneira muito mais difusa. Em vez de perceber um produto de contorno, enxergamos a sombra. Em vez de ver um iluminador, percebemos a luz refletindo no rosto.

É por isso que a técnica produz aquele efeito frequentemente associado à maquiagem de tapete vermelho: pele definida, mas sem a aparência de estar excessivamente construída. Em alta definição, essa dimensão também é importante. Segundo Phillips, sua preocupação sempre foi fazer com que a pele tivesse a mesma beleza ao vivo e diante das câmeras.



O segredo está na base

Aqui, existe um detalhe que pode fazer toda a diferença: a base não pode ser pesada demais. Depois de criar o contorno e a iluminação, Phillips recomenda uma base de cobertura leve a média, capaz de deixar o trabalho feito por baixo ainda aparecer. Uma fórmula de alta cobertura pode neutralizar justamente o efeito que a técnica pretende criar

A aplicação também importa. Em vez de espalhar uma grande quantidade de base diretamente no rosto, a maquiadora prefere colocar o produto primeiro no dorso da mão e carregar um pincel fofo com uma pequena quantidade. Depois, passa a base em
movimentos leves e ascendentes, começando pelas regiões iluminadas e seguindo para as áreas de contorno.

O resultado ideal é aquele em que você sabe que existe maquiagem ali, mas não consegue identificar exatamente onde ela está.



Cremoso é melhor?

Para reproduzir o efeito, produtos cremosos são especialmente interessantes. Eles têm maior facilidade para se fundir à pele e permitem construir dimensão em camadas finas. Também podem ser esfumados e misturados com mais facilidade antes da aplicação da base.

Mas isso não significa que exista uma única fórmula ideal para todos os rostos. Em peles secas, Phillips recomenda priorizar hidratação e produtos mais emolientes, sempre mantendo as camadas finas. Já para peles oleosas ou mistas, fórmulas cream-to-powder ou cremosas de acabamento mais matte podem ajudar a evitar excesso de brilho e deslizamento.

Em peles maduras, a técnica pode ser particularmente interessante justamente porque permite trabalhar dimensão sem acumular muitas camadas de produto. Nesse caso, menos é definitivamente mais: aplicação estratégica e esfumado suave são fundamentais.




Lição de casa

Não é preciso reproduzir uma maquiagem de tapete vermelho para experimentar o underpainting. Comece preparando bem a pele e, se necessário, use um corretor de cor para neutralizar áreas de olheira ou alterações de tom

Depois, aplique uma pequena quantidade de contorno cremoso nas regiões que você normalmente gostaria de definir. Esfume bem, preservando a transparência. Em seguida, ilumine pontos estratégicos do rosto com corretivo ou iluminador cremoso.

Só então entre com a base, escolhendo uma fórmula leve ou de cobertura média. Aplique pouco produto e espalhe com um pincel fofo, evitando arrastar as camadas que estão por baixo.

Se ainda quiser mais definição, o segredo é voltar com pequenas quantidades de produto depois da base, e não começar novamente com uma grande camada. Afinal, a graça do underpainting está justamente em fazer mais com menos.

No fim, a técnica resume uma mudança que vem acontecendo na maquiagem há algum tempo: menos interesse em cobrir completamente a pele e mais vontade de trabalhar com aquilo que já existe nela. O rosto continua esculpido, mas a maquiagem deixa de ser protagonista. Aqui, o que brilha é a sua beleza mesmo.



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